Equinos

Mineralização em Equinos

Escrito por: Lucas - Publicado em.: 14.10.2022

Os minerais são considerados de grande importância na alimentação, pois participam de todos os processos bioquímicos corporais. As carências minerais estão entre os fatores que mais contribuem para a baixa produtividade do rebanho equino nacional, quando mantido sob condições de pastagem. O fornecimento a mais de um único elemento mineral a um animal saudável, sem necessidades extras, pode causar distúrbios, como o aparecimento de enfermidades que poderiam ser facilmente evitadas com uma alimentação equilibrada. Uma dieta é importante para garantir maior produtividade e diminuir os riscos de doenças.

A carência de minerais é um dos principais fatores que contribuem para a baixa produtividade do rebanho equino nacional, essa carência ocorre com mais frequência com os animais que são mantidos sob condições de pastagem. Os solos e as forragens tropicais geralmente apresentam deficiência ou excesso de minerais, principalmente quando mal manejados, proporcionando um “desbalanço” nutricional aos animais, sendo esse fator responsável pela baixa produção de trabalho e desempenho dos equinos, bem como por problemas reprodutivos. Os minerais são considerados elementos essenciais para uma boa nutrição animal. Eles estão envolvidos em praticamente todas as vias metabólicas do organismo de mamíferos, sendo importantes na reprodução, no crescimento, no metabolismo energético, e todas outras funções fisiológicas vitais, como, também, para o aumento da produtividade do animal. Também é fundamental para apoio na regulação da reprodução, para aquelas propriedades que criam seus cavalos de serviço, sendo que o não fornecimento pode prejudicar os índices de fertilidade do rebanho equino. As rações comerciais disponíveis para cavalos, têm o milho como principal fonte de energia e a base da alimentação volumosa dos equinos são gramíneas. Nem os grãos nem as gramíneas contém suficiente quantidade de minerais para suprir as necessidades de um cavalo em crescimento, especialmente se forem de má qualidade ou estiverem muito maduros.

Os minerais suplementados na forma orgânica mostram ter um poder de amenização do estresse. Avaliando a deposição óssea de cálcio e fósforo, densidade radiográfica e desenvolvimento corporal em potros alimentados com minerais orgânicos, à suplementação com minerais na forma orgânica proporcionou maior densidade óssea, quando comparada à forma inorgânica. Se o aporte de minerais na dieta dos potros em crescimento não acompanhar as exigências da categoria, haverá malformações do esqueleto, problemas de reprodução e de digestão, comprometendo a integridade e a funcionalidade do animal, bem como na categoria de animais adultos de trabalho, cuja performance passa a ser muito superior e mais intensa, bem como, consequentemente, o uso e o desgaste de sua musculatura, tendões e articulações. Por isso, nesse caso, o equilíbrio e o fornecimento de minerais devem ser o mais precisos possível, para evitar lesões muitas vezes irreversíveis.

No animal em crescimento, o cálcio e o fósforo são os minerais que têm o maior impacto. Se ambos não estiverem presentes em quantidades suficientes ou estiverem em proporções erradas, o potro não terá um crescimento correto e sua estrutura óssea e articular será permanentemente arruinada.O cálcio e o fósforo juntos fazem parte do desenvolvimento e solidez do esqueleto equino e participam de reações bioquímicas importantes no organismo, os dois representam 70% dos minerais corporais. Um fator importante que deve ser observado é a relação cálcio: fósforo. O excesso de fósforo diminui a absorção de cálcio. A deficiência de cálcio diminui a densidade óssea, causando claudicação, fraturas, perda de peso e as doenças ortopédicas desenvolvimentares (DOD). O excesso de cálcio, por sua vez, além de também predispor às DOD, prejudica a absorção de zinco, cobre magnésio, manganês, iodo e ferro (carência induzida) e eleva a densidade óssea, tornando os ossos mais quebradiços, sujeitos a fraturas. A deficiência de fósforo, assim como a de cálcio, diminui a densidade óssea, causando claudicação, fraturas, perda de peso, osteomalácia e as DOD, além de comprometer o crescimento e o desenvolvimento dos potros se a deficiência for prolongada.

O excesso de fósforo, que impede a absorção e a fixação do cálcio, além da osteodistrofia fibrosa, pode levar à deficiência de magnésio (carência induzida), à desmineralização óssea e à formação de esqueleto frágil, com claudicações, deformações, trincas e fraturas. Com base na literatura, admite-se que o maior responsável pelo desequilíbrio cálcio: fósforo (Ca: P), consiste na excessiva oferta e ingestão de alimentos ricos em P, principalmente o milho e o farelo de trigo, que têm sido bastante utilizados na suplementação alimentar equina. O excesso de P na dieta desencadeia hiperparatireoidismo secundário, a hipocalcemia promovendo reabsorção óssea (regida pelos hormônios da paratireóide) para que equilíbrio metabólico de Ca: P seja mantido. Outra causa frequente ao desencadeamento é a ingestão de variedades de Brachiaria sp. e Panicum maximum CV. Aruana; comum na formação de pastagens em muitas regiões do Brasil.

Os equinos são considerados possuidores de boa tolerância a altas concentrações de sódio na dieta e ao livre consumo, desde que possam ter água potável de livre acesso, os sinais de toxicidade não são observados. Por esse motivo, a prática de fornecimento de sal comum ao cocho para livre acesso e o uso de blocos pode ser indicada para equinos sem grandes problemas. Com relação ao uso de sal na forma de blocos, deve-se ter o cuidado de seguir as recomendações dos fabricantes e sempre se utilizar dos blocos específicos para equinos, devido estarem balanceados para os mesmos, uma vez que os blocos de sal são misturas de sal comum com minerais. Devido à sudorese, onde grandes quantidades de eletrólitos são perdidas durante atividade física, o consumo de quantidade razoável ao dia acaba sendo balanceado, com a perda por sudorese e o consumo de água potável. Para animais de alto desempenho, o mais recomendado é que seja feito um balanceamento completo da dieta, tendo a formulação de dieta específica ao indivíduo (dieta única) e para isso o nutricionista deverá observar vários pontos. Todavia se existirem dúvidas sobre as doses de sal a serem fornecidas, um nutricionista deve ser consultado, e pontos como dieta consumida, fonte de volumoso utilizado, nível de atividade física, entre outros, serão observados e levados em consideração para fazer uma recomendação.

Referências

CINTRA, A.G de C. O Cavalo: Características, Manejo e Alimentação. Roca LTDA, São Paulo, 2011. p. 243-244.

CINTRA, A. G de C. Alimentação equina: nutrição, saúde e bem estar. André G. Cintra. 1.ed. Rio de Janeiro: Roca, 2016. 354 p.

FURTADO, C. E.; TOSI, H.; VITTI, D.M.S.S. Perda endógena e absorção real de fósforo em dietas para equinos em crescimento. Pesquisa Agropecuária Brasileira. n.5. Brasília, 2000.

GOBESSO, A. A. DE; SOARES, A.; RIBEIRO, R.; TAMAS, W.; GONZAGA, I. Deposição óssea de cálcio e fósforo, densidade radiográfica e desenvolvimento corporal em potros alimentados com minerais orgânicos. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 51, n. 2, p. 142-148, 23 set. 2014.

NETO, C. R. J. Osteodistrofia Fibrosa em Equinos. Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Medicina Veterinária – Universidade Tuiuti do Paraná, 2015.

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