Equinos

Anemia Infecciosa Equina.

Escrito por: Lucas - Publicado em.: 14.10.2022

A anemia infecciosa equina (AIE) é uma doença causada pelo vírus da anemia infecciosa equina (VAIE) do tipo retroviral ( possui DNA e RNA) e acomete equinos de todo o mundo. A Sintomatologia inclui febre, anemia, edema e caquexia em alguns animais. A AIE em um primeiro contato pode desencadear sinais muito brandos ou inaparentes em certos animais e nesses casos os animais se tornam portadores subclínicos do vírus. Por isso, é de extrema importância a testagem pois, é muito difícil que o tutor desse animal perceba que ele está infectado. Todos os cavalos infectados, incluindo aqueles que são assintomáticos, tornam-se portadores e são transmissores por toda a vida. Animais infectados precisam ser sacrificados ou permanecer permanentemente isolados de outros equídeos para prevenir a transmissão.

Anemia Infecciosa Equina

A transmissão

A transmissão pode ocorrer através de insetos picadores, as moscas dos equinos são as mais efetivas na transmissão do vírus causador da AIE. As picadas dessas moscas são dolorosas, e a reação do animal interrompe a alimentação. A mosca tenta retomar a alimentação imediatamente, no mesmo animal ou em outro hospedeiro próximo, resultando na transferência de sangue infectante. O VAIE ( Virus da anemia infecciosa equina) sobrevive por um tempo limitado nas peças bucais dos insetos, reduzindo a probabilidade de disseminação para hospedeiros mais distantes.Quando inoculado no equino, o vírus persiste nos leucócitos por toda a sua vida e durante a febre também pode ser encontrado no plasma. Os animais sintomáticos possuem mais chances de transmissão da doença por possuírem maior taxa de virulência.

Além disso, o vírus pode ser transmitido por transfusão sanguínea, agulhas hipodérmicas e instrumentos cirúrgicos contaminados e desbastadores de dentes e ainda há relatos que ele também pode ser transmitido durante a gestação e lactação para o potro.

Sinais Clínicos

O período de incubação é de uma semana a 45 dias ou mais. Alguns cavalos permanecem assintomáticos até passarem por períodos de estresse.

Os sinais clínicos são inespecíficos. Geralmente, o animal apresenta febre e redução ou perda de apetite e essa febre, se for um caso brando, dura cerca de 24 horas. Os cavalos que são afetados de forma severa ficam deprimidos e fracos e ainda podem apresentar icterícia, taquipneia, taquicardia, edema na região ventral, trombocitopenia, petéquias nas membranas mucosas e fezes sanguinolentas. A anemia pode ocorrer, embora ela seja mais severa nos animais cronicamente infectados. Apos, o desaparecimentos dos sinais clinicos da crise inicial, a maioria dos cavalos tornam-se portadores assintomáticos; entretanto, alguns animais apresentam sinais clínicos recorrentes que variam desde doença leve e falha no crescimento até febre crescente, depressão, petéquias nas membranas mucosas, perda de peso, anemia e edema dependente. Infecções inaparentes podem se tornar sintomáticas com doenças concomitantes, estresse severo ou trabalho pesado. A morte é possível durante esses episódios de febre. Lesões oftálmicas, caracterizadas por despigmentação com vasos da coróide proeminentes, foram relatadas em equinos cronicamente infectados.

Diagnóstico

A anemia infecciosa equina é geralmente confirmada por sorologia. Uma vez que um animal é infectado, ele se torna um portador para toda a vida. Os dois testes sorológicos mais comuns de serem usados são o teste da imunodifusão em ágar gel (IDGA ou Coggins) e ensaios imunoenzimáticos (ELISAs). Os equinos geralmente são soronegativos nas primeiras 2 a 3 semanas após a infecção; em casos raros, eles podem não desenvolver anticorpos até 60 dias. ELISAs podem detectar anticorpos mais cedo do que testes de IDGA e são mais sensíveis, mas falsos positivos são mais fáceis de ocorrer. Por essa razão, resultados positivos no ELISA são confirmados por IDGA ou immunoblot (Western blooting).

Notificação das autoridades

A anemia infecciosa equina é uma doença de notificação obrigatória, devendo ser comunicada a sua ocorrência aos órgãos de defesa sanitária animal estadual e/ou federal. No Brasil, a AIE requer a notificação imediata de qualquer caso suspeito.

Ainda, no Brasil, o trânsito interestadual de equídeos requer documento oficial de trânsito (GTA) e resultado negativo no exame laboratorial para diagnóstico de A.I.E. Ainda, a participação de equídeos em eventos agropecuários somente é permitida com exame negativo para A.I.E. A validade do exame negativo é de 180 dias, salvo em caso de propriedade controlada. Equídeos infectados se tornam portadores por toda a vida, e devem ser permanentemente isolados de outros animais suscetíveis ou eutanasiados.

A marcação se realiza na paleta do lado esquerdo com um “A”, a não ser que o sacrifício ou transporte ao abate sanitário (sem paradas) seja realizado imediatamente. A legislação ainda prevê sacrifício do animal positivo em até 30 dias, sem indenização. O risco de transmissão a partir de portadores varia, mas como é impossível de se quantificar esse risco, todos os animais infectados são tratados de forma igual. Portadores assintomáticos frequentemente dão a luz a potros não infectados. O risco de infecção congênita é maior se a égua tiver sinais clínicos antes de parir. Potros nascidos de éguas infectadas devem ser isolados de outros equídeos, até ser determinado se são livres ou infectados. Durante um surto, a pulverização, bem como o uso de repelentes e de estábulos à prova de insetos, podem auxiliar na interrupção da transmissão. Colocar animais em pequenos grupos separados por pelo menos 200 metros pode ser benéfico quando o vírus está sendo transmitido dentro de uma fazenda. Cuidados devem ser tomados para evitar a transmissão iatrogênica. Em países onde a anemia infecciosa equina não está presente, os surtos são contidos com quarentenas e controle de movimentação, rastreamento de casos e vigilância. Os vírus envelopados, como o VAIE, são facilmente destruídos pela maioria dos desinfetantes comuns. Este vírus não persiste em insetos, que são os vetores mecânicos.

Referências

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