Cães

Erliquiose Canina, uma doença fatal.

Escrito por: Lucas - Publicado em.: 14.10.2022

A principal espécie causadora da erliquiose canina é a Erlichia canis, sendo uma doença de grande importância veterinária pois pode levar o seu pet a óbito se negligenciada. Sua transmissão se dá de forma natural quando ocorre a presença de um vetor, como o carrapato Rhipicephalus sanguineus ou de forma artificial, através da transfusão sanguínea. Os cães infectados podem apresentar sintomatologia leve a intensa ou até mesmo ser assintomática, dependendo da fase da doença e da condição de saúde do animal. A incidência da Erliquiose no Brasil, vem aumentando significativamente e por isso é super importante saber mais sobre essa doença que acomete nossos pets.

 

A transmissão

Ocorre, principalmente, pela picada do carrapato, mas pode ocorrer pela transfusão de sangue contaminado para outro animal sadio. O carrapato pode também infectar o cão com outros microrganismos como a Babesia canis e o Hepatozoon canis. O período de incubação no cão varia entre oito e vinte dias, e a fase aguda dura entre duas e quatro semanas. Durante a fase aguda ocorre uma alta taxa de replicação da bactéria dentro das células do animal causando organomegalia (linfadenomegalia, esplenomegalia e hepatomegalia) além de aumento no tamanho das células afetadas, podendo acarretar hemorragias petéquias, sufusões e até mesmo hemorragias intraoculares. O cão serve de fonte de infecção apenas na fase aguda da doença quando há grande quantidade de bactérias circulantes na corrente sanguínea. Já o carrapato, poderá permanecer infectado por aproximadamente um ano.

Os Sinais

A erliquiose pode acometer cães em qualquer idade ou sexo. O grau de virulência se dá às diferentes cepas E. canis, a forma grave da erliquiose acomete, em geral, cães com imunossupressão. Além da bactéria E. canis transmitida pelo carrapato R. sanguineus, outros patógenos podem ser transmitidos por ele, como a Babesia canis vogeli e Hepatozoon canis, podendo desenvolver coinfecção e complicando a doença de base.

As Fases da Erliquiose Canina:

Fase aguda

Os sinais clínicos mais recorrentes da fase aguda envolvem hipertermia (39,5– 41,5ºC), apatia, letargia, anorexia, perda de peso, taquipneia, mas são sinais inespecíficos da doença. Os sinais específicos são: organomegalia em baço e linfadenomegalia devido à replicação leucocitária nesses órgãos, petéquias, sufusões e equimoses na pele devido ao quadro trombocitopenia e vasculite.

Fase subclínica

Na fase subclínica a E. canis continua no paciente mesmo com a melhora da sintomatologia, com sinais brandos ou tão discretos em que o tutor pode não perceber, fase essa pode se estender por meses ou até anos. Alterações hematológicas não são evidenciadas com frequência, mas é nessa fase que ocorre a elevação de anticorpos.

Fase crônica

Na fase crônica, os sinais apresentados são parecidos com o da fase aguda, mas se apresenta mais grave e assume um aspecto de doença autoimune. O animal pode apresentar mucosas hipocoradas devido a pancitopenia, emaciação e edema periférico, hipertermia, hepatomegalia, esplenomegalia e linfadenopatia devido ao estímulo imunológico constante. Nos machos são descritos casos de edema de escroto e nas fêmeas não castradas o período de estro pode se prolongar além de infertilidade, abortamentos e natimortalidade. Já os sinais neurológicos incluem convulsões, meningoencefalite, ataxia, disfunção neuromotora e vestibular central ou periférica e hiperestesia localizada ou generalizada que se dá pela intoxicação do sangue pelos compostos nitrogenados oriundos da destruição das hemácias pelo agente etiológico.

Diagnóstico

Os testes diretos são para a confirmação da presença do antígeno e portanto a doença, o mais sensível chama-se PCR (Protein Chain Reaction), este é realizado através da amostra de sangue do paciente com a suspeita da doença.

Os testes indiretos são para a confirmação da presença do anticorpo e não necessariamente a doença mas sim a presença de anticorpos que indicam que em algum momento houve um contato do paciente com o antígeno. O teste rápido é muito utilizado em clínicas veterinárias realizado pelo método ELISA (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay) que é um teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos, ainda tem a técnica de IFI (Imunofluorescência Indireta de anticorpos), que consiste em uma técnica sensível, que detecta anticorpos anti – Ehrlichia canis, através do soro do sangue do animal e hoje é a mais utilizada em todo o mundo.

Tratamento

Os cães com a doença em curso agudo apresentam melhora rápida dos parâmetros clínicos e hematológicos em 24 a 48 horas após instituída a terapia. Cães infectados cronicamente podem demonstrar uma remissão mais gradual dos sintomas ou não obter melhora após o início do tratamento. O prognóstico depende da severidade das lesões. Nos casos agudos é favorável se a terapia for apropriada e o animal apresentar melhora dentro de 48 horas já que o tempo de resposta medular é de 72h . Porém, se torna ruim se a medula óssea ficar gravemente reduzida e os quadros letais, geralmente estão ligados à aplasia de medula .

Profilaxia

A prevenção da erliquiose tem suma importância, desde o cão que mora no apartamento até nos canis, locais em que há grande concentração ou convívio de animais como pet shops, hotéis, creche para pets e clínicas veterinárias. Como não existe vacina contra esta enfermidade, essa prevenção ocorre através de ectoparasiticidas na forma de coleiras, shampoos, comprimidos ou pipeta para aplicar na pele. A profilaxia também pode ser feita com produtos acaricidas ambientais. Também deve ser realizada a sorologia em cães doadores de sangue devido à grande importância da profilaxia à erliquiose e a presença do hemoparasita no sangue do cão doador.

Referências

ALMOSNY, N. R. P. Hemoparasitoses em pequenos animais domésticos e como zoonoses. 1. ed. Rio de Janeiro: L.F. Livros de Veterinária Ltda., p.112-126

ALVES, L.M.; LINHARES, G.F.C.; CHAVES, N.S.T; MONTEIRO, L.C.; LINHARES,D.C.L. Avaliação de Iniciadores e protocolo para o diagnóstico da pancitopenia tropical canina por PCR. Ciência Animal Brasileira. v.6, n.1, p.49- 54, jan./mar. 2005.

ARMANDO, Catherine. Erliquiose canina: revisão de literatura. Orientador: Dra. Simone Michaela Simons. 2022. 30 p. Trabalho de conclusão de curso (Especialização) – Instituto Butantan, São Paulo, 2022. Disponível em: https://repositorio.butantan.gov.br/handle/butantan/4191. Acesso em: 16 jun. 2022.

BARROS-BATTESTI, D. M.; LANDULFO, G. A.; LUZ, H. R.; MARCILI, A.;ONOFRIO, V. C.; FAMADAS, K. M. Ornithodoros faccinii n. sp. (Acari: Ixodida: Argasidae) parasitizing the frog Thoropa miliaris (Amphibia: Anura: Cycloramphidae) in Brazil. Parasites and Vectors, v. 8, p. 1-11, 2015.

BIRCHAD, SHERDING, Manual Saunders: Clínica de pequenos animais. São Paulo: Roca, p.139-142, 1998.

CASTRO, M.B.; MACHADO, R.Z.; AQUINO, L.P.C.T.; ALESSI, A.C.; COSTA, M.T.Experimental acute canine monocytic ehrlichiosis: clinicopathological and immunopathological findings. Veterinary Parasitology. Amsterdam, 2004

GARCIA, D. A. et al. Erliquiose e Anaplasmose canina- Revisão de literatura. Revista cientifica- PKP, São Paulo, v.1, n.1, p. 1-9, 2018.

HARRUS, S.; BARK, H.; WENER, T. Canine monocytic ehrlichiosis: in update. Compendium on continuing education for practicing veterinarian. v. 19, n. 4, p.431-444, 1997.

MASSARD, C. L.; FONSECA, A. H. Ehrlichiose canina. A hora veterinária. Ano 23,n.137, jan./fev. 2004

MAVROMATIS, K.; CUYLER DOYLE, C.; LYKIDIS, A.; IVANOVA. N.; FRANCINO,P., YU, X., WALKER, D., KYRPIDES, N. The genome of the obligately intracellular bacterium Ehrlichia canis reaveals themes of complex membrane structure and immune evasion strategies. Journal of Bacteriology, v.188, p.4015- 23. 2006.

NAKAGHI, A.C.H.; MACHADO, R.Z.; COSTA, M.T.; ANDRÉ, M.R.; BALDANI, C.D. Canine ehrlichiosis: clinical, hematological, serological and molecular aspects. Ciência Rural. v.38, n.3, p.766-700, 2008.

NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Fundamentos de medicina interna de pequenos animais. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.737 ,1994.

Pinto, A. B. T.; Carvalho, C. B. Oftalmopatias na erliquiose monocítica canina. Jornal Brasileiro de Ciência Animal, v.6, n.12, p.442-452, 2013.

RISTIC, M. et al. Serological diagnosis of tropical canine pancytopenia by indirect immunofluorescence. Infect Immun. n.6, p.226-231, 1972

SANTAREM, V. A. Achados epidemiológicos, clínicos e hematológicos e comparação de técnicas para diagnóstico e Ehrlichia canis (Tese de doutorado). Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho”, Botucatu, SP, Brasil, 2003

TILLEY. LARRY P.; SMITH. FRANCIS W.K.; Consulta veterinária em 5 minutos Espécies canina e felina. Segunda edição p.754-755. Editora Manole. 2003.

Tags: , , , ,

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *