Equinos

Laminite Equina, um prejuizo econômico.

Escrito por: Lucas - Publicado em.: 14.10.2022

A laminite equina é uma inflamação das lâminas do casco que pode ser classificada também como uma doença perivascular periférica podendo levar a perda de circulação, necrose, rotação de falange distal e perda de função do membro acometido.

Para os equídeos, principalmente, os pôneis são muito suscetíveis, com incidência até quatro vezes maior do que nos demais. Os autores também relatam que cavalos castrados possuem menos chances de desenvolver laminite, ao passo que animais na faixa etária de 4 a 10 anos estatisticamente apresentam maiores índices de laminite. Assim também, são mais vulneráveis os cavalos que são transportados e permanecem por vários dias em decúbito quadrupedal, sem alimentação e ingestão de água adequada.

Esta condição tem sido reconhecida há anos como uma das principais causas de claudicação em equino, apesar de ser uma enfermidade de ocorrência esporádica, mas que pode acometer diversos animais em um mesmo local, pois muito tem a ver com as condições de criação e manejo.

A laminite é uma enfermidade de múltiplos fatores, nos quais incluem origem: vascular, traumática, enzimática, por privação de glicose e a alta concentração de carboidratos. Outros fatores que desencadeiam a doença é a causa mecânica que é o transporte do animal ou o trabalho de tração que exige muito do aparelho locomotor em solos duros e há também a que surge de uma causa infecciosa, ou seja, o animal se encontra com pneumonia, por exemplo, a bactéria causadora libera endotoxinas que pode desencadear a laminite.

Existem quatro estágios da doença, sendo eles:

Prodrômico( em desenvolvimento): Quando ocorre o contato inicial com o agente etiológico.

Agudo: Quando aparecem os sinais iniciais de desconforto no membro;O quadro agudo é caracterizado pelo início do aparecimento de sinais clínicos que influem claudicação, dor na região da pinça do casco, depressão, anorexia, alternância marcada pelo apoio de membros, relutância em se movimentar, aumento do pulso das artérias digitais à palpação e aumento de temperatura sobre a parede do casco e banda coronária. Tremores musculares, aumento da frequência respiratória e temperatura retal, além de sinais de ansiedade também podem ser observados.

Subagudo: Quando imposto o tratamento é capaz de amenizar a claudicação

Crônico: Quando não há controle do processo inflamatório e ocorre o agravamento da afecção vascular. A laminite crônica é a continuação do processo agudo e tem início com o primeiro sinal de deslocamento da falange distal dentro da cápsula do casco. Esta pode durar, indefinidamente, com sinais clínicos que abrangem claudicação amena constante, dor severa no membro, degeneração das junções lamelares, decúbito, deformação na parede do casco e esfacelamento do casco.

O principal sinal clínico é a dor, seguida da relutância em apoiar o membro acometido e elevação das frequências cardíaca e respiratória e da pulsação da artéria digital (FERREIRA, 2008). O tratamento geralmente é instituído a partir da fase aguda, quando o animal começa a apresentar claudicação e, tendo em vista que objetiva reduzir a dor e minimizar os danos secundários às lâminas do casco bem como corrigir os distúrbios hemodinâmicos, deve ser instituído o mais precocemente possível (THOMASSIAN et al., 2000; BUSCH, 2009

O que vai definir o tipo de tratamento é o estágio da enfermidade em que o animal se encontra. Ainda, é importante investigar a causa da laminite para que o tratamento seja, de fato, eficaz.

A laminite é uma doença que traz muitos prejuízos não só aos animais, mas também aos seus donos. É imprescindível que o proprietário tenha os cuidados necessários para que o animal não desencadeie a pododermatite asséptica difusa, pois uma vez acometido com a doença, o índice de reincidência é muito grande, sendo um tratamento muito caro e demorado. Com isso, é importante que o proprietário cuide da alimentação do animal, evitando uma alta concentração de carboidratos. Além disso, devem-se evitar trabalhos que exijam muito do aparelho locomotor do animal em solos duros e tomar cuidados necessários para o transporte do animal.

Esse texto não substitui a avaliação de um profissional.

Consulte seu médico veterinário.

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