Bovinos de Corte / Bovinos de Leite

Raiva Bovina, um grande prejuízo ao pecuárista

Escrito por: Lucas - Publicado em.: 08.11.2022

Somente a raiva bovina é responsável, em todo o mundo, por um grande prejuízo anual  de centenas de milhões de dólares. Ela é causada por um vírus rabdovírus podendo também infectar humanos. Os principais sinais clínicos em bovinos incluem depressão, incoordenação, paralisia dos membros, principalmente nos membros pélvicos, decúbito esternal e lateral, opistótono e morte. As lesões de raiva são geralmente limitadas ao sistema nervoso central.

Quanto à raiva, a importância do diagnóstico é extremamente necessária já que a correta identificação da infecção tem sérias implicações na profilaxia e tratamento de pessoas expostas. A prevenção contra a raiva é baseada na vacinação dos animais e no controle do morcego Desmodus rotundus. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) prevê um plano para o controle de raiva, o Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH), que direciona ações estratégicas, como a vacinação e o controle dos morcegos, para a prevenção e controle da raiva em bovinos e equinos no país. A vacinação profilática de bovinos não é obrigatória em todo o país e cada estado tem sua própria legislação. Além da vacinação, o controle de morcegos hematófagos é muito importante para a prevenção e o controle da raiva bovina.

Desenvolvimento da doença 

O período de incubação pode variar dependendo de fatores como capacidade invasiva, patogenicidade, carga viral do vírus que foi inoculado,  local de inoculação (quanto mais próximo do sistema nervoso central, menor será o período de incubação), idade, imunidade do animal infectado e entre outros. O período de incubação é de 14 dias a 12 semanas, contudo já foram relatados períodos superiores a um ano.

Transmissão da doença 

A transmissão da raiva está fortemente relacionada à presença de morcegos, a concentração de bovinos, a redução do habitat do morcego hematófago, a mudanças climáticas e as alterações ambientais que podem causar modificações nas movimentações dos morcegos na busca por abrigo, alimento e fontes de água, sendo eles o principal vetor da doença. O processo ocorre pela penetração do vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente pela mordida. A transmissão pela arranhadura e lambedura de mucosas é rara mas também podem ocorrer. Diferentes espécies de morcegos e outros animais selvagens podem ser reservatórios do vírus,  sendo Desmodus rotundus o principal responsável pela transmissão da infecção e os herbívoros domésticos os principais animais infectados. Os ciclos de transmissão podem ser: urbano, aéreo, rural e silvestre. 

O ciclo urbano refere-se à raiva em cães e gatos domésticos; ciclo aéreo refere-se à raiva em morcegos; ciclo rural refere-se à raiva dos herbívoros(bovinos e equinos)e no qual o principal vetor é o morcego hematófago. A raiva tende a ser sazonal, sobretudo, devido ao comportamento sexual dos morcegos, particularmente a disputa entre machos pelo harém, ao longo da primavera.

Sinais

O sinal inicial é o isolamento, o animal se afasta do rebanho, apresentando certa apatia e perda do apetite. O início dos sinais clínicos é chamado de fase prodrômica e acontece em todas as espécies de animais acometidos. o curso clínico varia de três a sete dias sendo a forma paralítica a manifestação clínica observada nos bovinos e, se caracteriza por incoordenação motora, movimentos de pedalagem, paresia e paralisia dos membros pélvicos, decúbito lateral e esternal, opistótono e morte. A mandíbula é o local onde a paralisia é mais notável e a morte se dá por paralisia dos músculos respiratórios.

Prevenção 

A prevenção da raiva consiste, fundamentalmente, na vacinação e no controle de reservatórios. Ela é controlada pela aplicação de vacina em animais de áreas endêmicas e pelo controle das populações de morcegos hematófagos. O MAPA é responsável pela coordenação, normalização e supervisão das ações do PNCRH, por definir estratégias para prevenção e controle da raiva e o credenciamento de laboratórios para o diagnóstico de raiva. As Superintendências Federais da Agricultura (SFA) coordenam e supervisionam as atividades de controle da raiva dos herbívoros nos estados brasileiros e, dispõem de um corpo técnico composto por profissionais habilitados para exercer as atividades de defesa sanitária animal.

A raiva é uma doença de notificação compulsória e cabe ao proprietário notificar o Serviço Veterinário Oficial quando houver suspeita de raiva, bem como a ocorrência de mordidas de morcegos hematófagos em seus animais. Da mesma maneira, os médicos veterinários autônomos são responsáveis por comunicar à autoridade sanitária constituída na região quando houver casos suspeitos de raiva (BRASIL, 2009). A estratégia do PNCRH consiste em vigilância epidemiológica, orientação da vacinação dos herbívoros domésticos e o controle de morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus, sempre que houver risco de transmissão da raiva aos herbívoros.

A vacinação profilática dos herbívoros deve ser realizada com vírus inativado, na dosagem de 2 ml por animal, de qualquer idade, aplicada por via subcutânea ou intramuscular, pelo proprietário. Em áreas de ocorrência de raiva, a vacina deve ser sistemática em bovídeos e equídeos com idade superior ou igual a três meses, deve-se aplicar duas doses com intervalo de 30 dias e reforço anual. Todos os animais vacinados deverão possuir atestado de vacinação anti-rábica expedido por um médico veterinário (BRASIL, 2002). A vacinação é uma medida de proteção que interrompe o ciclo de transmissão entre animais domésticos e selvagens (OLIVEIRA et al., 2000).

Das enfermidades que acometem o sistema nervoso central de bovinos, a raiva é a de maior ocorrência no Brasil. Por ser uma zoonose que pode atingir 100% de letalidade, é de grande importância para a saúde pública, além de causar prejuízos incalculáveis, o diagnóstico é parte imprescindível do controle e prevenção da raiva. Deve ser executado de forma rápida e mais precisa possível visando sempre identificar os focos da doença e aspectos epidemiológicos para o controle da sua disseminação entre os animais domésticos e selvagens.

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