Equinos

Vermifugação em Equinos

Escrito por: Lucas - Publicado em.: 14.10.2022

No Brasil, o rebanho de equinos está estimado em 5.751.798 animais (IBGE, 2018). Pelo fato de os equinos se alimentarem principalmente de pastagens, ficam expostos à invasão de endoparasitas ou vermes em seu organismo. As infecções parasitárias gastrintestinais são frequentes em equinos, os helmintos podem causar efeitos que variam de leve desconforto abdominal, diarreia, baixo desempenho, perda de peso, até a morte do animal. A principal forma de controle de helmintos em equinos ocorre através da aplicação de anti-helmínticos, sendo realizado de forma preventiva. Porém, este método de manejo sanitário levou ao surgimento de populações parasitárias resistentes, tanto no Brasil como em outros países.

Stock shoot with Emma and Mark Butler

Estudos mostram que os anti-helmínticos utilizados no controle da verminose em equinos são: benzimidazóis (fembendazol), lactonas macrocíclicas, avermectina (ivermectina) e milbemicina (moxidectina). Porém, novos estudos demonstram que o controle de doenças parasitárias tem sido seriamente comprometido pela seleção de helmintos resistentes, e os registros exibem um crescimento no número dessa população resistente nos últimos anos, tanto no Brasil como em várias regiões do mundo.

O controle das parasitoses em uma propriedade também irá depender de um manejo eficiente e adequado e esse assunto será abordado futuramente. Sendo assim, estratégias de gestão devem ser desenvolvidas para que o uso dos anti-helmínticos seja reduzido. Uma alternativa interessante seria a realização da contagem de ovos por grama de fezes (OPG) antes da aplicação dos anti-helmínticos, evitando gastos e aplicação de drogas em animais com baixo ou nenhum grau de infecção. É importante que haja a integração de vários métodos de controle, procurando assim, reduzir a quantidade de larvas infectantes presentes nas pastagens, proporcionando a redução de possíveis reinfecções.

Os vermífugos devem ser utilizados com maior intervalo de tempo, e a troca dos grupos farmacológicos devem ocorrer a cada ano. Além disso, deve-se consultar um médico veterinário para elaboração de um calendário de vermifugação e indicação de quais vermífugos devem ser aplicados, bem como sua forma de utilização.

Os programas de controle parasitários nas propriedades geralmente são baseados em tratamentos frequentes, com curtos intervalos entre doses e várias trocas dos grupos farmacológicos dentro do mesmo ano, causando resistência múltipla aos princípios ativos. Esse uso indiscriminado de medicamentos é um fator de extrema importância, uma vez que os tratamentos supressivos sem o conhecimento da carga parasitária presente nos animais, causam grandes prejuízos na microfauna dos helmintos. Como consequências haverá o desenvolvimento de organismos resistentes, prejudicando a sustentabilidade do programa sanitário de controle.

Referência


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